Como cobrar por um serviço

3 02 2011

É muito comum na área de TI pessoas que trabalham por conta própria, os chamados freelancers. Além deles, também é comum que profissionais empregados aceitem propostas para realizar serviços fora de seu horário de trabalho.

Ambos se deparam com o mesmo problema: quanto cobrar?

Esse assunto é batido, muita gente já deu palpite, pode ser que até mesmo você já tenha lido algo. Portanto pretendo colocar aqui a minha opinião, não é a verdade absoluta. Você pode achar que é o melhor método, ou não. E, se fizer diferente, mande nos comentários como você faz!

Então vamos lá.

É extremamente importante levar em consideração quanto é o seu valor por hora. Se você não sabe, é uma conta fácil. Defina quanto você gostaria de faturar no mês (seja realista!). Com base nisso, divida por 160 horas, que são as horas úteis de um mês. Some a isso encargos, impostos, custos indiretos, e você terá seu valor hora. Mais ou menos assim:

– Valor desejado: R$ 1000,00

– Valor hora: R$ 1000,00 / 160 = R$ 6,25

– Acréscimos: 15% (impostos e outros custos)

– Valor final: R$ 6,25 + 15% =R$ 7,19

Supondo então que o serviço que você vai fazer irá demandar 100 horas trabalhadas. Então você deve cobrar R$ 719,00. Obviamente que você vai arredondar, então uns R$ 750,00 seria o ideal.

 

Essa é a melhor forma? Pode ser que pra você não!

Dependendo da sua experiência, do seu conhecimento e do quão raro no mercado é um profissional que exerce a mesma atividade que você, seu valor hora pode mudar.

Calcular é preciso

A lógica pode ser a mesma: sou especializado, gostaria de ganhar R$ 5000,00 por mês, logo minha hora bruta vale R$ 31,25 + encargos. Porém o mais comum é fazer uma base e estipular um valor hora previamente, com base no que é padrão no mercado.

Lembre-se: você sempre deve lembrar que em muitos serviços você terá custos. Então você deverá cobrar pelo serviço de forma adequada para não ter prejuízo.

Por exemplo, se no nosso exemplo do projeto de R$ 750,00 você tivesse que fazer duas reuniões com o cliente, em outra cidade. Cada deslocamento custa pra você R$ 50,00 de combustível e mais R$ 20,00 para almoçar, ou seja, você gastara R$ 170,00, além do desgaste do seu carro. Dessa forma, nada mais justo do que somar esse custo ao do projeto, então esse projeto poderia facilmente chegar ao valor de R$ 1000,00.

Mas Bruno, sou especialista, não há muitos profissionais como eu mas meu cliente não consegue arcar com R$ 30,00 a hora em um projeto de 100 horas!

O primeiro pensamento: não paga, não leva! Mas sabemos que a vida não é assim.

Se temos contas para pagar, estamos precisando de um extra ou coisas assim nos sentimos tentados a abaixar o preço ou cobrir o preço de um concorrente. Mas precisamos tomar muito cuidado, pois se você cobrar um valor muito baixo você ficará preso a isso, e nunca mais conseguirá se livrar dessa visão que o cliente fez de você. E pior: outros clientes que vierem por indicação desse irão querer pagar pouco.

Por causa de profissionais que abaixam demais o preço que temos um mercado difícil hoje em dia. Os famosos “sobrinhos” que cobram R$200,00 por um site e não oferecem qualidade, garantia e muito menos retorno prejudicam os verdadeiros profissionais, que estudaram e sabem o que estão fazendo.

Há mercado para todos. As empresas que já quebraram a cara com “sobrinhos” hoje em dia estão dispostas a pagar pelo real valor de um serviço. Portanto se você for abaixar o seu preço para tentar fechar um negócio seja coerente. Não vai dizer que o preço é R$ 2.000,00 e depois, pra fechar, dizer que faz por R$ 500,00. Isso é absurdo.

Forneça alternativas. Abaixe um pouco o valor, coisa de 10%, e faça uma nova proposta. Proponha um desconto maior pra pagamento à vista, proponha um parcelamento. Mas estabeleça um mínimo! Se sua hora custa R$ 10,00 tenha como meta nunca trabalhar abaixo de 10% do seu valor. Na proposta inicial jogue 10% pra cima, negocie. Tem que ser esperto.

Sempre teremos a concorrência no preço. Mas o seu diferencial tem que ser a qualidade. O valor é conseqüência.

Como diz a frase: Rápido, barato e bem feito: escolha duas dessas opções.

 

 

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Dicas de monografia, TCC e o seu futuro

28 01 2011

Todo mundo, ou pelo menos todo mundo que quer ser alguém, sonha em terminar uma faculdade. Isso é um fato, ainda mais com a famosa máxima do “com estudo é difícil, imagina sem!”.

Porém há uma outra máxima, não tão conhecida, que diz: entrar na faculdade é difícil, sair é mais ainda! Claro que eu sei, você sabe, todo mundo sabe, que tem muita faculdade meia-boca por aí que praticamente vende o diploma por mensalidades módicas e taxas populares. Mas não vamos generalizar, vamos falar das boas instituições públicas e das muitas instituições particulares sérias.

Então, voltando ao foco… sair da faculdade é difícil! Obviamente que não estou falando em abandonar a faculdade, e sim em concluir a faculdade. E aí está a palavrinha chave: concluir.

Em todo final de faculdade nos deparamos com um problemão: a monografia, ou TCC (trabalho de conclusão de curso).

E agora, o que eu faço?

O primeiro problema: como escolher um tema?

Quando falamos na área de tecnologia sabemos muito bem que o que é novidade hoje será ultrapassado daqui um ano (as vezes mais, as vezes menos). Porém pra escrever uma monografia/tcc bem escrito precisamos de tempo, então o que fazer se a tecnologia que eu escolhi saiu do foco nesse meio-tempo?

Sinceramente? Não sei!

Mas podemos evitar esse problema. Aí você me pergunta: como?

Devemos nos atentar para o que está surgindo agora, e o que está sumindo agora. Isso demanda tempo, demanda pesquisa, e varia muito de acordo com o seu foco.

Quando eu me formei escrevi a respeito de BI (business intelligence). Porém não levei para o lado técnico, e sim para o lado gerencial, onde abordei a respeito de quais os pontos em que o BI pode auxiliar na tomada de decisão, tomando como base o Modelo das Cinco Forças, de Michael Porter.

Note para um detalhe: peguei um tema atual, sobre um tipo de sistema que está em alta, mas não me apeguei no sistema, e sim no conceito. Em algumas áreas isso pode ser a chave para escrever um TCC que não ficará ultrapassado enquanto você ainda está escrevendo.

 

E como saber o que está em alta?

 

É necessário estar antenado ao que se passa no seu mundo. Pegando pela área que eu conheço, que é TI, é preciso estar sempre atento ao que grandes blogs divulgam, como o Gizmodo e o Tecnoblog, além dos principais portais, como iMasters e o site da revista Info. Aqui no Profissão:TI também estarei publicando sempre os assuntos mais relevantes da atualidade, o que pode ser de grande ajuda se você está levantando um tema para escrever.

Hoje eu citaria como bons temas a Mobilidade, com os tablets (postei sobre isso aqui recentemente) e smartphones ganhando grande espaço no mercado. Além disso podemos citar a TI Verde, que é a capacidade de sustentabilidade do setor, logística reversa de equipamentos e tudo o que é voltado a agredir menos o meio-ambiente. Posso citar também o Cloud Computing, ou Computação na Nuvem, que é  um tema bastante interessante que provavelmente terá uma publicação aqui nos próximos dias.

E a dica mais valiosa: não deixe para a última hora!

Comece a pesquisar antes, anotar, encontrar referências e se possível escrever com antecedência. Isso evita uma carga enorme de stress se você estiver muito perto do prazo e precisar escrever mais ou ajustar algo.

E lembre-se: você precisará pesquisar MUITO para escrever uma monografia, e isso pode afetar diretamente sua carreira.

Como? Simples: as vezes você acha que gosta de X, mas ao pesquisar esse tema para sua monografia você descobre Y, e se identifica mais. Isso pode mudar seus planos para o futuro, e isso é muito bom! Há sempre o risco de quebrar a cara, mas é melhor você errar quando é um recém-formado sem família para sustentar (não é o caso de alguns, mas é a maioria) do que no futuro, quando outras vidas dependerem de você.





32 Maneiras de proteger sua vida digital

24 01 2011

Você está seguro? Ao menos acha que está seguro?

Leia esse post do Gizmodo. Sua opinião pode mudar.





Certificação: sim ou não? Parte II

23 01 2011

Dando continuidade no assunto, vamos falar hoje sobre os contras de uma certificação. Se você não leu os prós, clique aqui.

Então vamos lá.

Contras de uma certificação

Muita gente deve pensar: existe um lado ruim em ter uma certificação? Sim, existe. Vamos falar sobre alguns pontos.

Investimento alto

Algumas certificações exigem um investimento muito alto em cursos, livros e na prova em si. E muitas, pela estigma de “profissional certificado em X ganha R$ 10.000.000.000.000.000,00 por mês” estão cobrando ainda mais caro, tendo muita gente fazendo e inchando o mercado, o que vai gerar mais mão-de-obra do que vagas, vai ter gente que gastou e não vai ter retorno e o salário vai abaixar.

Custou caro...

Cursos ruins

Infelizmente há muitas empresas que ministram cursos preparatórios para certificação mas que não são sérias ou não tem a estrutura adequada, ou até mesmo tem instrutores que não tem uma boa didática.

Tudo isso é prejudicial, pois as vezes o aspirante a profissional certificado investe em um cursos desses e vai para a prova achando que está preparado, e só aí descobre que o curso não foi suficiente.

Imagem errada

Algumas empresas contratam profissionais certificados achando que estão contratando “um Chuck Norris em SQL Server”, ou coisa parecida. Com essa mentalidade a empresa pensa que esse profissional nunca poderá errar, nunca precisará de um curso, nunca terá dúvidas. E isso não é verdade, mesmo o mais especialista pode hesitar ao se deparar com um problema que nunca viu.

E, por conta disso, tem empresas que não contratam profissionais certificados por causa de alguma experiência ruim (ou que eles consideraram ruim) anterior.

Profissionais não capacitados

O que acontece se uma pessoa se dedicar a estudar uma tecnologia a fundo, devorar os livros, gabaritar os simulados e então prestar uma prova de certificação? Ela passa na prova e se certifica.

Mas esse profissional tem experiência na função? Sabe como é o dia-a-dia do cargo que ele pretende? Já exerceu algo ao menos parecido com o cargo almejado?

Assim como na escola, onde decoramos a fórmula de Baskara e passamos na prova, muitas vezes temos profissionais que decoraram os pontos do seu guia de estudo e conseguiram passar na prova, mas não dominam realmente a tecnologia. Aí quando esse profissional precisa resolver alguma coisa ele encontrará problemas.

Mas isso é tão ruim assim? Não, não é. Profissionais estão constantemente se atualizando. Mas tem empresas que não tem essa paciência, conforme visto no tópico anterior.

O problema de ser “especialista demais”

Depois de inúmeras certificações na mesma área o profissional está fadado a ficar nessa área para sempre. E isso não é uma “acusação”, é uma realidade.

Muitas vezes o fato de ter várias certificações faz com que o profissional seja visto como “muito técnico”, o que pode ser pedra de tropeço caso ele deseje um dia partir para um cargo gerencial.

Então, se você pensa em se certificar, tenha em mente que isso pode acontecer com você. Se essa é a sua idéia, ótimo, manda ver! Se não for, pense bem antes de se auto-titular especialista e depois nunca mais conseguir apagar essa imagem.

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E você, tem alguma opinião diferente? Comente!

 





Certificação: sim ou não? Parte I

21 01 2011

Todo mundo que é da área de TI se depara com esse assunto frequentemente: tirar ou não uma certificação?

Digamos que esse é um assunto polêmico, pois há quem defenda com unhas e dentes que sim, tirar uma certificação é tudo que um profissional precisa! Por outro lado há quem diga que a certificação é só pra dar dinheiro para as empresas, seja ela Microsoft, Cisco, IBM, PMI, etc, pois o que a certificação aborda é muito teórico e não se aplica ao dia-a-dia.

Mas vamos analisar por outra ótica.

Prós de uma certificação

Há vários pontos que podemos avaliar como interessantes em uma certificação. Cito alguns:

Disciplina

Estudar para uma certificação exige MUITA disciplina. São vários livros pra ler (as vezes um só, gigantesco, do tipo Learning Guide), simulados pra fazer, exercícios de fixação, preparo psicológico para a prova e muito, muito esforço. Ou seja, se você não é disciplinado terá que se tornar, senão será muito difícil conseguir a aprovação desejada.

Essa será sua rotina...

Praticar seu inglês

Você achou mesmo que conseguiria estudar para uma certificação só em português? No way, friend!

A grande maioria dos materiais estão em inglês. E vou além: 99% dos bons materiais são em inglês.

Mas Bruno, existe material em português e até mesmo a prova em PT-BR!

Sim, existe. Porém a maioria das provas não está bem traduzida. Você quer arriscar fazer a prova em português e não passar porque uma questão estava difícil de interpretar por conta da tradução porca ruim?

Seu inglês não precisa ser fluente, mas tem que ser considerável, para poder ler os artigos, pesquisar, postar/ler em fóruns, etc. Se seu inglês é ruim há várias maneiras de praticar, inclusive na web. Recomendo ler o excelente English Experts, tem muitas dicas boas lá.

Desenvolver suas habilidades de pesquisa

Uma pesquisa não é simplesmente ir no Google e jogar lá o que quer achar. Uma boa pesquisa exige saber usar os recursos de busca do Google (dicas aqui), pesquisar em artigos acadêmicos, baixar apostilas em sites específicos, fazer a mesma busca em vários idiomas. Enfim, exige um verdadeiro garimpo na Web!

Quem já escreveu uma monografia sabe como é. Se você quer ter os melhores resultados, será assim.

Ter uma certificação!

E por último, mas não menos importante, ter uma certificação!

Algumas empresas exigem determinada certificação como pré-requisito para se candidatar a uma vaga. Em outras, a certificação é um diferencial. E, para algumas, não vale nada, mas isso agora não vem ao caso.

Parabéns, agora você é certificado em "Cultivo de Milho em terra úmida"!

Resumindo: para algumas empresas a certificação pode, e em muitas será, o seu grande diferencial. Grandes players valorizam profissionais certificados, então primeiro você deve analisar sua área e qual certificação pretende tirar, e analisar se os ganhos, tanto de salário melhor quanto de novas oportunidades, compensarão o custo e o esforço. No blog do Thiago de Almeida há um post falando sobre algumas certificações em TI.

Na próxima parte falarei sobre os contras que há em tirar uma certificação. Aguardem!

UPDATE: A segunda parte está aqui