Certificação: sim ou não? Parte II

23 01 2011

Dando continuidade no assunto, vamos falar hoje sobre os contras de uma certificação. Se você não leu os prós, clique aqui.

Então vamos lá.

Contras de uma certificação

Muita gente deve pensar: existe um lado ruim em ter uma certificação? Sim, existe. Vamos falar sobre alguns pontos.

Investimento alto

Algumas certificações exigem um investimento muito alto em cursos, livros e na prova em si. E muitas, pela estigma de “profissional certificado em X ganha R$ 10.000.000.000.000.000,00 por mês” estão cobrando ainda mais caro, tendo muita gente fazendo e inchando o mercado, o que vai gerar mais mão-de-obra do que vagas, vai ter gente que gastou e não vai ter retorno e o salário vai abaixar.

Custou caro...

Cursos ruins

Infelizmente há muitas empresas que ministram cursos preparatórios para certificação mas que não são sérias ou não tem a estrutura adequada, ou até mesmo tem instrutores que não tem uma boa didática.

Tudo isso é prejudicial, pois as vezes o aspirante a profissional certificado investe em um cursos desses e vai para a prova achando que está preparado, e só aí descobre que o curso não foi suficiente.

Imagem errada

Algumas empresas contratam profissionais certificados achando que estão contratando “um Chuck Norris em SQL Server”, ou coisa parecida. Com essa mentalidade a empresa pensa que esse profissional nunca poderá errar, nunca precisará de um curso, nunca terá dúvidas. E isso não é verdade, mesmo o mais especialista pode hesitar ao se deparar com um problema que nunca viu.

E, por conta disso, tem empresas que não contratam profissionais certificados por causa de alguma experiência ruim (ou que eles consideraram ruim) anterior.

Profissionais não capacitados

O que acontece se uma pessoa se dedicar a estudar uma tecnologia a fundo, devorar os livros, gabaritar os simulados e então prestar uma prova de certificação? Ela passa na prova e se certifica.

Mas esse profissional tem experiência na função? Sabe como é o dia-a-dia do cargo que ele pretende? Já exerceu algo ao menos parecido com o cargo almejado?

Assim como na escola, onde decoramos a fórmula de Baskara e passamos na prova, muitas vezes temos profissionais que decoraram os pontos do seu guia de estudo e conseguiram passar na prova, mas não dominam realmente a tecnologia. Aí quando esse profissional precisa resolver alguma coisa ele encontrará problemas.

Mas isso é tão ruim assim? Não, não é. Profissionais estão constantemente se atualizando. Mas tem empresas que não tem essa paciência, conforme visto no tópico anterior.

O problema de ser “especialista demais”

Depois de inúmeras certificações na mesma área o profissional está fadado a ficar nessa área para sempre. E isso não é uma “acusação”, é uma realidade.

Muitas vezes o fato de ter várias certificações faz com que o profissional seja visto como “muito técnico”, o que pode ser pedra de tropeço caso ele deseje um dia partir para um cargo gerencial.

Então, se você pensa em se certificar, tenha em mente que isso pode acontecer com você. Se essa é a sua idéia, ótimo, manda ver! Se não for, pense bem antes de se auto-titular especialista e depois nunca mais conseguir apagar essa imagem.

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E você, tem alguma opinião diferente? Comente!

 





Certificação: sim ou não? Parte I

21 01 2011

Todo mundo que é da área de TI se depara com esse assunto frequentemente: tirar ou não uma certificação?

Digamos que esse é um assunto polêmico, pois há quem defenda com unhas e dentes que sim, tirar uma certificação é tudo que um profissional precisa! Por outro lado há quem diga que a certificação é só pra dar dinheiro para as empresas, seja ela Microsoft, Cisco, IBM, PMI, etc, pois o que a certificação aborda é muito teórico e não se aplica ao dia-a-dia.

Mas vamos analisar por outra ótica.

Prós de uma certificação

Há vários pontos que podemos avaliar como interessantes em uma certificação. Cito alguns:

Disciplina

Estudar para uma certificação exige MUITA disciplina. São vários livros pra ler (as vezes um só, gigantesco, do tipo Learning Guide), simulados pra fazer, exercícios de fixação, preparo psicológico para a prova e muito, muito esforço. Ou seja, se você não é disciplinado terá que se tornar, senão será muito difícil conseguir a aprovação desejada.

Essa será sua rotina...

Praticar seu inglês

Você achou mesmo que conseguiria estudar para uma certificação só em português? No way, friend!

A grande maioria dos materiais estão em inglês. E vou além: 99% dos bons materiais são em inglês.

Mas Bruno, existe material em português e até mesmo a prova em PT-BR!

Sim, existe. Porém a maioria das provas não está bem traduzida. Você quer arriscar fazer a prova em português e não passar porque uma questão estava difícil de interpretar por conta da tradução porca ruim?

Seu inglês não precisa ser fluente, mas tem que ser considerável, para poder ler os artigos, pesquisar, postar/ler em fóruns, etc. Se seu inglês é ruim há várias maneiras de praticar, inclusive na web. Recomendo ler o excelente English Experts, tem muitas dicas boas lá.

Desenvolver suas habilidades de pesquisa

Uma pesquisa não é simplesmente ir no Google e jogar lá o que quer achar. Uma boa pesquisa exige saber usar os recursos de busca do Google (dicas aqui), pesquisar em artigos acadêmicos, baixar apostilas em sites específicos, fazer a mesma busca em vários idiomas. Enfim, exige um verdadeiro garimpo na Web!

Quem já escreveu uma monografia sabe como é. Se você quer ter os melhores resultados, será assim.

Ter uma certificação!

E por último, mas não menos importante, ter uma certificação!

Algumas empresas exigem determinada certificação como pré-requisito para se candidatar a uma vaga. Em outras, a certificação é um diferencial. E, para algumas, não vale nada, mas isso agora não vem ao caso.

Parabéns, agora você é certificado em "Cultivo de Milho em terra úmida"!

Resumindo: para algumas empresas a certificação pode, e em muitas será, o seu grande diferencial. Grandes players valorizam profissionais certificados, então primeiro você deve analisar sua área e qual certificação pretende tirar, e analisar se os ganhos, tanto de salário melhor quanto de novas oportunidades, compensarão o custo e o esforço. No blog do Thiago de Almeida há um post falando sobre algumas certificações em TI.

Na próxima parte falarei sobre os contras que há em tirar uma certificação. Aguardem!

UPDATE: A segunda parte está aqui





Sobre idiomas, linguagens e dialetos

19 01 2011

Vivemos em um mundo altamente globalizado, e isso não é novidade pra ninguém. Empresas americanas contratam fabricantes chineses para fabricar componentes de produtos que serão montados e vendidos para o mundo todo. Grandes corporações possuem unidades em vários continentes e negociam com empresas de todo o mundo. Hoje em dia nada impede que uma empresa situada no meio da Amazônia contrate uma consultoria de negócios com sede em Dubai.

Mas, onde nós, profissionais de TI, ficamos no meio dessa salada de conexões globais?

Todo mundo conectado com todo mundo

Primeiro ponto: o que tornou a comunicação global tão ágil foi justamente o avanço tecnológico, seja ele de informática, telecomunicações ou até mesmo transportes. Então estamos diretamente ligados à globalização.

Dessa forma muitas vezes vamos atuar em empresas (de qualquer ramo) ou em projetos (de qualquer tipo) onde é necessário comunicar-se com unidades da empresa/cliente no exterior, com departamentos fora do país, etc, etc.

E pra isso temos alguns pontos chaves: idiomas, linguagens e dialetos.
Aí você me pergunta: como assim?

Tecnicamente falando, necessitamos de linguagens de programação, sejam elas de desenvolvimento (.NET, PHP, Java, etc) ou de banco de dados (SQL, Linq, Hibernate, etc). Com essas linguagens os sistemas podem ser integrados independentemente de onde as empresas/departamentos estão.

Através de Webservices, por exemplo, um cadastro realizado em um sistema na unidade da empresa localizada em Rio Branco, no Acre, irá impactar em um processo em um outro departamento da empresa, localizado em Los Angeles. E não é mágica, é tecnologia!

O diretor de TI não precisa ser assim

Falando em outro ponto, caimos na questão dos idiomas. Por mais que o nosso amigo Google Translator nos ajude em diversas situações, nem todas são solucionadas dessa forma. Por exemplo, se você estiver no telefone não dá pra consultar tradutor, você tem que entender e ser entendido, independente de ser em português, inglês, chinês ou tupi.

Chegamos em um estágio em que o Inglês Técnico não é mais o suficiente. Essa afirmação é muito forte, mas é a realidade, a não ser que você pense em trabalhar pro resto de sua vida em uma empresa que jamais atuará em nada que possa ter ligação com o exterior, o que penso que não é sua idéia, certo? Se essa é sua idéia, então o inglês que você sabe para ler apostilas e fóruns já serve. Se não, não serve. E se você não consegue nem ler uma apostila em inglês está na hora de se mexer.

Não podemos esquecer também que o Brasil a cada dia mais torna-se uma potência na economia mundial, e há bastante tempo é o líder absoluto no Mercosul. Dessa forma, falar espanhol também passa a ser interessante. E espanhol de verdade, não portunhol, porque fica ridículo usar o portunhol em uma reunião.

Mas Bruno, se os líderes somos nós porque ELES não aprendem português?

Muitos aprendem. Tem muita gente no mundo estudando português, mas para as empresas DAQUI se você falar espanhol fluentemente será um diferencial, pois você poderá atender um potencial cliente que quer seu serviço mas não fala português. E isso significa mais lucros.

E os dialetos?

Bom, isso é um caso a parte… vivemos em um mundo do Internetês, Miguchês e outras porcarias de dialetos que surgiram na Internet.

Qual é minha opinião sobre isso? Corram para as colinas!

Jamais, repito, JAMAIS escreva um e-mail ou converse com um cliente, gerente, diretor, coordenador, amigo, parente, namorada, enfim, JAMAIS utilize esses dialetos ridículos.

Ou você gostaria de ser chamado de “mEu MigUxxxO fUlaaNo”.

Ninguém merece.